segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
um pequeno casulo, um útero vegetal, protege em seu interior o sonho de um voo, o qual repousa desde sempre e espera o momento onde sua forma estará definida possibilitando o rompimento. respirando, o sonho vai resistindo à todas as mudanças de estações, primavera-verão, outono-inverno, tomando forma calmamente, pois, de alguma forma, ele sabe que o momento da luz invadir o casulo vai chegar. pode tardar, mas chegará.
domingo, 18 de dezembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
não seriam essas entrelinhas o refúgio silencioso que por vezes configura o grito abafado e distende toda a necessidade de se estar só? não seriam esses entre-espaços um retorno ao mais cândido repouso? entre-imagens, entrelinha, o espaço entre duas camadas grossas, viscosas, gordas e amorfas da tinta multicolorida recém-colocada na tela em branco. não seria a tela em branco o futuro, aquilo que resta, a borra de café, na qual observamos os cristais não difundidos, justamente aqueles que irão apontar os nódulos do porvir, os nódulos que não descem a garganta? não seria o entre-espaço das velhas rugas, o repouso das memórias felizes de outrora?
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
todos os anos, ao primeiro domingo de novembro, nena borges separava as duas rosas mais vistosas do velho canteiro em ruínas de seu quintal. cuidadosamente, ela as colocava sobre a mesa da sala, amarrava-as com um pequeno pedaço de barbante e rogava, através dos lábios esculpidos pelo tempo, uma oração em murmúrio inaudível. antes mesmo das 5h da manhã, ela partia em direção à praia, onde repousava as rosas e esperava o mar as levar embora, assim como o fizera, anos atrás, com seu marido e filho.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
o vento lá fora, inquieto desde cedo, infiltrava-se pelas frestas encontradas na estrutura da velha e humilde casa e assoviava furiosamente como se quisesse expulsar à plenos pulmões os poucos moradores que ainda restavam. a pequena emiliana, por sua vez, podia jurar que o vento na verdade, ao passar pelas frestas, cantarolava belas melodias de amor.
terça-feira, 19 de julho de 2011
deveria eu falar que o que costumávamos chamar de nossa música, nosso hino de amor, a canção que por ventura, ou por acaso, ainda carrega nossos mais belos sentimentos, começou a tocar no exato momento em que o silêncio invadiu nosso breve diálogo? como um líquido, preenchendo cada vazio de nossos momentos de dúvidas, ela vai nos costurando lentamente, unindo por meio da matéria amorfa nosso apreço compactuado em silêncio, até o momento em que perceberemos que somos um só rio de águas claras (se é que já não sabemos e buscamos na poesia de sê-lo, a eternidade da beleza de sermos, e termos sido, dois corações costurados sob um só peito).
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